quinta-feira, 30 de junho de 2011

PINGA !

Vamos tomar… Umazinha ? Ou uma caninha? Quem sabe uma pinga… Não precisa entender do assunto para saber que estou falando da cachaça.
Voce sabia que é a bebida mais consumida no Brasil, em torno de 1 bilhao de litros por ano? Uma média de 70 milhões de doses diárias? E que São Paulo é o maior produtor da bebida? E que ela é consumida por pessoas de todas as classes, cor e religião? Incrível!!
Quando falamos de cachaça lembramos de várias formas de consumo. Pode ser na “raça”, virando o copinho de uma só vez. Indicado para afogar as mágoas, intercalar com uma cerveja gelada, para curar gripe ou para abrir o apetite. Mas o cabra tem que ser macho! Outra forma de servir, muito comum, é com o nome de caipirinha. Eita palavra famosa no mundo todo! É a bebida favorita dos gringos quando chegam por aqui. Bom, ela é consumida geralmente por homens (não aqueles cabra macho) e mulheres de personalidade forte. Indicado para quem quer ficar alegre num dia de praia ou num bar que esteja lotado de gente interessante. É verdade, a cachaça dá uma coragem de lascar. Mas cuidado, consumida em excesso derruba até um jumento.
Durante a fabricaçao da cachaça, podemos dividir em tres categorias: Cachaça de cabeça, de coraçao e de rabo. Voce sabia disso? Já provou todas? Bom, a de cabeça é a mais forte, forte mesmo. A de coraçao é a que entra no processo de industrializaçao, e a do rabo contem substancias toxicas. Agora que estamos perto do inverno pernambucano, é uma boa desculpa para aumentar o consumo, seja da cabeça ou do coraçao. O importante é que uma ou outra esquente a alma.
A minha experiencia com cachaça aconteceu cedo(ou velha, para outros). Eu tinha uns 20 anos, estava em pleno carnaval e tinha acabado a cerveja. Andando de lá pra cá eis que um vendedor ambulante disse que tinha uma branquinha das boas pra matar a sede. Me deu uma latinha de Pitu. Na mesma hora lembrei daquela garrafa enorme na frente da cachaçaria, que via a caminho de Gravatá. Bom, vou parar por aqui… Voltei a usar a cachaça uns 5 anos atrás quando preparei uma sobremesa com frutas flambadas na cachaça. O sabor característico e o doce proveniente da cana, deram um ar especial. Realmente, adorei.
Em Pernambuco, numa cidade chamada Lagoa do Carro, temos o privilégio de ter o Museu da Cachaça, fundado pelo maior colecionador da bebida do mundo, Sr. José Moisés de Moura. Nao conheço, mas deve ser curioso.
Quer valorizar a nossa cachaça? Entao fique sabendo disso: No Brasil a cachaça é fabricada da cana de açúcar. Ela é da mesma familia da famosa cachaça francesa, “eau de vie”, ou seja, água da vida, um aguardente feito de pera, pessegou ou maçã. Na Escandinavia temos a Aquavit, também “agua da vida”, feita da batata fermentada. Na Itália encontramos a famosa Grappa, cachaça feita do bagaço da uva. E aí? Somos ou nao somos fabricantes da água da vida? Temos que beber pra saber.
No dia 30 de outubro de 2008, a cachaça passou a ser um patrimônio cultural e imaterial do Estado.
E pra comemorar o Sao Joao, matando aquele frio que nos pega de surpresa, nada como uma boa “lapadinha”para os cabra macho, e uma caipiroska frutada para as mocinhas. Segue a receitinha.

Caipiroska de frutas tropicais
Ingredientes:
2 doses de cachaça
frutas variadas (umbu, cajá, acerola, uva roxa, entre outras de sua preferencia)
2 colheres de açúcar (se preferir, coloque a gosto)
Bastante gelo batido
Modo de fazer:
Um bom cachaceiro faz no copo, amassando todas as frutas com um socador, depois adiciona o açúcar e soca mais um pouco. Só depois coloca a cachaça e mexe. Por fim, o gelo. Agora é só beber.
Para dar um up-grade, pode ser feito numa coqueteleira, da mesma maneira como preparado acima. A única diferença é a cachoalada que o barman sabe fazer como nenhum cachaceiro de plantao.